30 de mai de 2010

Amor de Mãe


Ninguém falou neste blogue de amor materno, ainda. Então serei o primeiro! E que ironia da vida, porque a minha mãe já faz anos que eu não vejo. Sei que ela sofre por causa disso, como eu sofro, mas muito mais do que eu, não por eu ser lá essa criatura maravilhosa não, mas sim porque com certeza ela ama muito mais do que eu que sou filho, por ser mãe...

É algo simples de se entender, raro é alguém que não saiba directamente o que é esse amor, ou seja, que não tenha experimentado esse tipo de afeição em sua vida. Apenas os órfãos não conhecem o amor de mãe, embora mesmo estes saibam, pelos outros, do que se trata. Há mesmo pessoas que acreditam somente em amor de mãe - quem é que nunca ouviu a frase "Amor de verdade só o da minha mãe!"? Aqueles que dizem coisa assim certamente estão com alguma revolta ou trauma no coração, mas nisso se evidencia a enormidade desse amor que as mães dão a seus filhos, pois não há quem dele duvide.

Pode-se especular se o amor materno é um amor natural, instantâneo, que passa a existir assim que surge o be
bé ou se, ao contrário, é como todos os outros amores, uma relação que se constrói com o tempo, através das experiências da mãe com o seu pequenino ser. É difícil saber, pode-se apenas especular. Porém, de um jeito ou de outro, não há dúvida quanto ao fato de que é o primeiro carinho que experimentamos durante a vida, o mais duradouro, o mais completo e o mais incondicional. As mães, na minha opinião, amam em primeiro lugar por "egoísmo" puro: amam um pedaço de si. Porque, em seu subconsciente, certamente que é assim que vêem a seus frutos, aos frutos de seus ventres, que são seus filhos. Não que seja um sentimento de posse, e sim de completude, de estar fundida, de ser parte, ser uma peça no conjunto do todo. Estão a entender a minha ideia? Quero dizer que uma mãe enxerga a seu filho como a ela mesma, mais ou menos como um bebé vê à sua mãe como um pedaço de si, uma extensão sua, nos primeiros anos de vida, dela exigindo tudo. Não que seja maldade do bebé, porque ele não é mal, apenas seu egoísmo decorre de não ter percebido ainda que tanto ele como ela são seres independentes.

Eu senti isso quando fui embora. Nos dias anteriores à minha partida, minha mãe mudou muito (revelou-se muito), e na despedida, por suas lágrimas, pela maneira como me olhava e dissimulava (ou tentava dissimular) sua dor eu pude ver o que eu representava para ela.

Todas as mães são muito parecidas. Elas querem o bem de seus filhos mesmo que estes não as amem como elas os amam, sem deles esperar nada em troca. Quantos filhos dariam a vida pela mãe? Poucos. Quantas mães dariam a vida pelos filhos? Todas! Porque para elas, tanto faz o filho ou a si, é tudo uma parte de um mesmo todo.

Eu brigava muito com minha mãe, nos anos rebeldes de adolescente. Teve épocas que cheguei a pensar que amava mais à minha irmãzinha do que a ela. Mas, hoje, passado tanto tempo de separação, reconheço que talvez a minha irmã nem se lembre mais de mim. A minha mãe, com certeza ainda lembra. Eu poderei ter duvidas em relação a todos os amores que porventura aparecerem na minha vida, só que do dela jamais haverá dúvida, sei que foi a pessoa que mais me amou e que mais me ama ainda. Só Deus sabe o quanto me arrependo de tê-la magoado tanto. Mas é bom saber (e eu sei) que ela não guarda rancores, apenas uma certa mágoa mesmo.

Me perdoem por falar tanto de mim neste post, as Madames e os leitores. Considerem isto como um desabafo e esqueçam. Até o próximo domingo.
Monsieur Cvet z Juga

6 comentários:

Debor@h disse...

Monsieur querido,

Post sincero e profundo, onde se nota a falta que sua mãe te faz e o quanto ela te ama tb, tenho certeza disso, assim como vc à ela. Espero que em breve vcs possam se encontrar e dar aquele abraço gostoso que só mãe sabe dar.

Amor de mãe é com certeza incondicional, apesar que existem mães por ai que era melhor não existirem, que maltratam, que matam, etc... mas a maioria com certeza é um amor para toda a vida, não importa o que a gente faça, elas sempre estarão ao nosso lado, e minha mãe para mim é tudo, sou louca por ela!!! Beijos!!!

Sac do Amor disse...

Deborah, minha amiga,

É sim, acho que entendes direitinho o que eu sinto pela minha mãezinha e ela por mim. Ela me faz falta demais, sim, e eu pretendo visitá-la agora em Setembro, no dia do seu aniversário de 41 anos. Reza por mim! No dia da árvore, a Dona Eva faz mais um ano de vida, se Deus quiser.

Sobre as mães que maltratam ou fazem até coisa pior com seus filhos, eu só digo que felizmente são muito poucas, e que não sei se elas têm o sentimento puro que uma mãe tem em seu coração, a ponto de merecerem também ser chamadas de mãe. Mães que fazem mal aos filhos não são mães de verdade, na minha opinião.

Um beijo à todas as mães, à minha, à tua, às mães das Madames e a todas as outras mães deste mundo, que amam os seus filhos de forma completa e incondicional!!!

Monsieur Cvet z Juga.

Alyne disse...

Que demonstração linda do sentimento amor. Sim...é o amor traduzido em tudo que disse em seu post sobre sua mamãezinha.
O primeiro amor é o da mãe..há uma simbiose que com o passar dos anos precisa ser "dosada" para que o amor não vire " amor-apego, amor-doença". Caso isso ocorra, apenas aos poucos dá pra retomar uma relação saudável...dosagem.
Amei seu post e te digo uma outra coisa...vá mesmo visitar sua mãe, resgatar o vínculo e viver cada dia mais leve ♥

Hakime Goul Djounoubi disse...

Alyne, és um amor, sabias? Grato pelas tuas palavras de compreensão. É verdade, mesmo, amor-doença nunca é bom, realmente. Nem com a mãe nem com ninguém. Tem que saber amar, sempre.

Pois eu vou visitá-la, sim, tomara Deus, e depois tiro uma foto dela e mostro no meu blogue e aqui também.

Abraços, Alyne.

Van disse...

ameiiiiiiiiiiiiiiii miguxo!!!bjks

Hakime Goul Djounoubi disse...

Obrigado, Vanilda, volte sempre viu.