11 de jul de 2010

Companheiro Deprê

Olá, pessoal, leitores do nosso Sac do Amor. Tudo bem com vocês? Esperamos que sim, desejamos a todos um bom domingo e uma maravilhosa semana. Hoje, vamos expor o problema de uma leitora nossa que vamos chamar aqui de Sílvia (nome fictício, para preservar sua privacidade). Segue-se abaixo o seu relato, enviado há alguns dias ao nosso e-mail colectivo:

Sou advogada. E sou melhor como advogada do que como mulher.
Enquanto sou excelente profissional, minha vida pessoal é uma bagunça.
Cobro muito das pessoas, principalmente que elas sejam melhores, sempre, sem excepções.
E por não gostar muito do meu lado pessoal é que me envolvo com mocinhos cujas vidas complicadas eu possa "arrumar".
O mocinho da vez é óptimo: professor, inteligente, divertido de um jeito sarcástico, tímido, esportista, fotógrafo... ele tem um rol imenso de qualidades.
Mas ele também tem um "probleminha": ele é frustrado com a vida profissional que leva e isso o levou à depressão.
Namoramos há mais de um ano e nos últimos 4 meses a depressão tem vencido. Ele me trata com indiferença e o relacionamento tem se tornado algo frio e mecânico. Cheguei no meu limite, porque não sou médica. Não sei lidar com a doença dele. E não vejo nenhuma vontade dele em querer melhorar. Eu sou muito activa e o desânimo dele me consome, me desaponta, me decepciona e vem me matando, todo dia um pouquinho.
Acho que cheguei no meu limite, embora acredite que o limite é não ter limites.
Eu gosto dele, mas ele não gosta de si mesmo e não se ajuda.
E tem mais uma coisa: eu estive numa pior um tempo atrás e ele esteve ao meu lado.
Se eu fosse embora agora, pedisse um tempo, qualquer coisa nesse sentido, eu não seria muito mal agradecida?!



Querida Sílvia, mais uma vez é um prazer te ter aqui, sou o Monsieur. Tu me pareces ser uma pessoa muito inteligente e decidida, eu espero poder ser útil nesse conselho que quero te dar.

Antes de qualquer coisa que eu diga, tens que começar a te valorizares mais, Sílvia. Não digas que não gostas de tua "vida pessoal", pois talvez tu vivas momentos  que sejam maravilhosos, seja com este actual namorado ou com outros antes dele, e não o percebas. 

Diferenças de génio num relacionamento são normais, cada uma das partes tem a sua vida, já passou por experiências que trouxeram com elas o desenvolvimento da personalidade do indivíduo. Independente da relação que vocês dois têm agora, tu e o rapaz que é professor, ele tem o jeito dele, assim como tu tens o teu.  É preciso saber respeitar a maneira como ele vê o mundo, assim como ele tem que saber que o teu modo de enxergar as coisas é singular. Essas pequenas diferenças é que dão o charme ao casal, porque se os dois combinassem perfeitamente em tudo, que graça teria? O que te atraiu para ele não foi justamente que ele é uma pessoa diferente de ti, que tem uma vida diferente da tua, que pensa diferente? Ter paciência com ele agora, Sílvia, nesse momento, seria uma forma de demonstrar sentimento de tua parte (creio que esse sentimento ainda existe, não?). 
Contudo, como eu havia respondido no último parágrafo daquele e-mail que te enviei em 8 de Julho, nada te obriga a estar ao lado dele se com isso não te sentes completa e feliz.  Amar não é nunca ficar com alguém por remorso do que poderia acontecer com esse alguém caso o deixemos. Se tu o amas, tens que ajudá-lo a superar essa fase ruim, e não é impossível. Contanto que ele entenda que precisa mudar, e isso exige uma conversa franca, onde se exponha não apenas a situação, e sim os teus anseios também (se gostas ou não disso, se com esse comportamento ele te deixa ou não satisfeita etc). Se ele não puder entender, é uma coisa, se ele não o quiser, é outra, e a nossa paciência sempre terá limites.

Mas tudo o que se faz sem pensar pode nos fazer arrependermo-nos depois, e sinto que o que tu queres de verdade não é deixá-lo, e sim continuar com ele, só que com ele feliz, até porque esperas ser feliz junto dele também, ninguém espera a companhia de quem nos deixa infelizes. 


Tu deves pensar nele, o que não quer dizer que somente ele seja prioridade agora. Caso esse seja o teu real desejo, o de ficarem juntos e superarem juntos essa fase negra, penso que valha a pena investir nesse companheiro. Apenas nesse caso.




7 comentários:

Debor@h disse...

Um problema e tanto viu, tb acho que vc ainda gosta do seu namorado então deve tentar ajudá-lo e expor suas dúvidas e medos e se mesmo assim ele não quiser se cuidar e melhorar, então recomende-o uma terapia quem sabe o ajude. Beijos a vc e ao Monsieur sheli!

Sac do Amor disse...

Todá habá, sheli.

Tomara que eu tenha acertado e que possa ter ajudado a nossa leitora querida, ela merece ser feliz e ele também.

Monsieur.

Wanderley Elian Lima disse...

Obrigado pela visita ao meu blog e pelo comentário.
Estou seguindo
Bjs

Carolina disse...

Boa Monsieur, muito elegante e diplomático a sua resposta, deixando assim a oportuindade dela ouvir a opinião de terceiros ( que muitas vezes são as melhores devido ao distanciamneto) e mostrando novos olhares.
Quem sabe aí se encontre a resposta para os males da moça, né?
Eu, por mais amor que exista não teria este altruísmo todo porque este me parece o típico caso de amor vampiro, aquele que te suga mesmo. E qdo você consegue sair está mais do que exausta,acabada. Mas cada um cada qual. E o amor é uma mola de esperança, um sopro de algo mais e vamos ficar torcendo para que o desfecho seja realmente bom, para os dois obviamente.

bjão

Paulo Braccini disse...

Parabéns Abdul por toda a sabedoria ...

bjux

;-)

Sac do Amor disse...

Vanderley Elian;
Obrigado por nos seguir, espero que os textos do Sac do Amor te agradem.

Carolina;
Não sei se fui tão sábio, afinal a "Sílvia" até agora não se pronunciou (além do e-mail inicial), e não tenho como saber ainda se realmente ajudei, mas parece que é mais ou menos isso que tu disses, um amor que desgasta, porém o meu conselho foi para investir na mudança, caso haja vontade da parte de "Sílvia" em fazê-lo.

Paulo Braccini;
Que bom que o achas. Abraços cordiais.

Alyne disse...

Vc é um fofo!!!